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Quem diria? O umbu transformando vidas no Semiárido Baiano

Analysis

O trabalho coletivo provou ser a maneira mais indicada de resolver os problemas da produção e foi fundamental para a comercialização e venda dos frutos e dos produtos industrializados. O sucesso do trabalho, contudo, dependeu do cultivo do respeito e do entendimento entre os técnicos e os agricultores que buscaram, juntos, soluções para problemas individuais e coletivos.

A Cooperativa de Produção e Comercialização da Agricultura Familiar do Sudoeste da Bahia – COOPROAF – tem contribuído significativamente para melhoria da qualidade de vida de centenas de agricultores familiares, principalmente de mulheres e jovens extrativistas de umbu em dois importantes territórios de identidade da região.

O trabalho destes indivíduos adquiriu visibilidade no momento que a cooperativa estabeleceu pareceria com o Governo da Bahia através da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) e da cooperação com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) para a execução do Projeto Gente de Valor.

No período de 2008 a 2017, o PGV estruturou um conjunto de estratégias para o sistema produtivo do umbu através de assistência técnica especializada e contínua no campo e da implantação de três agroindústrias de processamento de frutas para o beneficiamento e agregação de valor dos seus produtos derivados, como doces, geleias, compotas, sucos e polpas.

Além de apresentar os resultados alcançados, este artigo visa compreender os mecanismos da gestão organizacional da COOPROAF como também as relações conflituosas na organização e gerenciamento da produção e comercialização. Finalmente, visa tirar lições para futuros investimentos em organizações em situações semelhantes.

Superando as fragilidades do sistema de produção e comercialização

Os Territórios de Identidade de Vitoria da Conquista (24 municípios) e de Médio Rio de Contas (16 municípios) constituem a área de atuação da cooperativa. Neles, as cidades de Vitória da Conquista e Jequié – cortadas pela BR-116 – são os principais polos de desenvolvimento regional e tornaram-se os pontos de convergência de serviços e comércio assim como de escoamento da produção das atividades desenvolvidas pela Cooperativa. O grande potencial para a comercialização cresceu em particular devido a políticas públicas visando extinguir a fome e o analfabetismo.

O trabalho que aqui se discute ocorreu em uma das maiores regiões produtoras de umbu da Bahia: Manoel Vitorino e Mirante, nos Subterritórios de Nova Esperança (Comunidades de Poço da Pedra e Barra da Purificação); e Quatro Forças Unidas (comunidades de Espírito Santo, Grama, Lagoa do Mirante e Salinas).

Esta demarcação se deu a partir de um Diagnóstico Rural Participativo, elemento do Projeto Gente de Valor. O levantamento incluiu a caracterização dos recursos naturais, do quadro agrário e das fragilidades dos sistemas de produção.

O estímulo em investir no umbu se deu em 2006 devido a resultados de pesquisa realizada pela Faculdade Ciência e Tecnologia (FTC), superando a indiferença dos gestores públicos dos Municípios de atuação da cooperativa. Nasceu ali uma parceria entre o Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA) e a Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (COOPERCUC), pioneiras em trabalho de beneficiamento do umbu.

No ano 2008 foi formalizada a COPROAF, em uma articulação do Instituto Regional com o Instituto de Formação São Francisco de Assis (ISFA), a Secretaria de Agricultura do Estado e associações de pequenos agricultores familiares do município de Manoel Vitorino. Eram então 24 cooperados, dos quais 23 mulheres.

"O Projeto Gente de Valor ajudou as pessoas terem maior entendimento da importância do umbu na geração de renda. Valorizou mais a cultura do umbuzeiro, motivou dezenas de famílias para o aproveitamento e transformação em derivados, dando mais perspectivas para as famílias realizarem seus sonhos" —   Marilda – Presidente da COOPROAF

Nesse período, o Programa Gente de Valor desenvolveu um plano de ações integradas de natureza socioeducativas e voltadas para o desenvolvimento sustentável do sistema produtivo do umbu. Promoveu oficinas cursos e intercâmbios, deu formação aos grupos de interesse do umbu e inseriu assessoria técnica especializada permanente.

O Festival do Umbu deflagrou o processo de visibilidade da cooperativa, a qual também passou a participar de feiras e eventos para promoção dos produtos da agricultura familiar.

Em 2011 a cooperativa saiu da fase artesanal com a implantação de três agroindústrias, em um investimento de mais de R$ 3.000.000,00. Em 2017 a cooperativa conta com 75 cooperados, sendo mais de 70% mulheres, gerando oportunidade de trabalho e renda para centenas de famílias, sobretudo mulheres e jovens da região Sudoeste da Bahia.

O processo da industrialização assegurou maior aproveitamento do umbu, diversificou sua produção e possibilitou o acesso ao mercado – sobretudo o institucional, disponibilizando seus derivados (doces, geleias compotas, sucos e polpas) o ano inteiro.

Entendendo a importância do umbu

O Programa Gente de Valor contribuiu significativamente com transformação da região sudoeste da Bahia devido ao aproveitamento do umbu, tendo na construção das agroindústrias seu diferencial produtivo. São fábricas dotadas de equipamentos modernos com capacidade de processamento de mais de 300 toneladas de frutas/ano. Esse investimento foi fundamental para melhorar as condições de trabalho, com maior eficiência nos processo de fabricação dos produtos.

O uso de uma estratégia inovadora para o processo organizativo, produtivo e de comercialização do umbu

teve papel preponderante na viabilidade da cooperativa. Quebrou assim paradigmas em uma região onde a maior parte da produção era consumida in natura, com baixo valor agregado e mais de 30% da comercialização passando por atravessadoras antes de atingir feiras livres ou a indústria de polpa.

Os resultados alcançados são frutos de um esforço coletivo dos cooperados e das inúmeras parcerias técnicas e financeiras estabelecidas ao longo da história, na nobre missão de valorizar o umbu e as pessoas da região. Enquanto que a cooperativa inicialmente beneficiava 24 sócios, passou em 2017 para 75 membros, dos quais 51 mulheres e 24 homens, favorecendo mais de quinhentas famílias. O crescimento do capital social da Cooperativa contribui significativamente para o aumento seu faturamento anual devido à ampliação das vendas de produtos comercializados nos mercados institucionais e varejistas.

Para a Cooperativa, a sustentabilidade vai além das dimensões econômicas da produção: ela considera fundamentais os aspetos ambientais e sociais, culturais do cotidiano das famílias. A parceria com ISFA por meio de outro projeto Umbu da Gente ainda contribuiu para a sustentabilidade das agroindústrias, como forma de garantir matéria-prima e preservação ambiental, onde foram cultivadas mais de 20.000 mudas nas propriedades dos agricultores envolvidos com o trabalho da cooperativa.

Com apoio dos parceiros, conseguiu dar visibilidade ao seu trabalho, assim como aos seus produtos, a partir da criação da identidade visual da sua marca e apresentação dos seus materiais de divulgação.

Até a implantação do Programa Gente de Valor, a maioria dos cooperados era de origem urbana. Vivendo basicamente de programas sociais, apresentam um perfil socioeconômico diferente dos agricultores dos subterritórios.

Respaldada pela articulação do Programa Gente de Valor, os Grupos de interesse dos subterritórios foram integrados à Cooperativa de Produção e Comercialização da Agricultura Familiar do Sudoeste da Bahia.

Em 2012 ocorreu a junção dos diferentes grupos. Inicialmente reinou a colaboração com a COOPROAF. No entanto, o confronto de ideias gerou problemas nas relações interpessoais que chegaram a interferir na produção e comercialização. Finalmente, em trabalho de construção coletiva, os grupos de produção das agroindústrias perceberam a importância da integração com a cooperativa. Expressaram, entretanto, a necessidade de clareza e transparência nas operações e nas tomadas de decisões, principalmente na gestão administrativa e comercial.

Como forma de atender essas legítimas reivindicações, a equipe do Programa Gente de Valor delineou com a cooperativa estratégias que contemplassem as necessidades das partes envolvidas (cidade e campo). Reuniões itinerantes nos subterritórios asseguraram o estreitamento das relações sociais e administrativas entre as os grupos envolvidos.

O sucesso da industrialização do umbu possibilitou o acesso ao mercado, sobretudo o mercado institucional. Tanto o Programa de Aquisição de Alimentos, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar foram determinantes para viabilizar a produção da agricultura familiar como das próprias cooperativas. Unidos, alavancaram a produção industrial, enfocada na alimentação escolar dos municípios vizinhos.

Hoje a cooperativa vive um momento especial da sua história, firmando compromissos admiráveis com o seu quadro social e parceiros, a partir das lições aprendidas com desafios e conquistas. Na sua trajetória conseguiu avanços importantes, sobretudo a formação e articulação de centenas de agricultores familiares em torno do beneficiamento e comercialização de derivados de umbu. Contribui, assim, com transformações socioeconômicas importantes no Semiárido baiano.

Lições desta inovação coletiva

O que nós da CAR aprendemos nestes anos de experiência é que o processo de formação dos agricultores familiares precisa ser contínuo, pois a gestão de processos agroindustriais são complexos e exigem conhecimentos específicos do setor. As capacitações sobre o manejo do umbuzeiro tiveram um efeito positivo e transformador na convivência com o meio ambiente. Despertou no grupo a curiosidade de como aumentar a produção e aproveitamento do umbu de forma sustentável.

Outra consequência da capacitação foi o fortalecimento do companheirismo, da satisfação e da autoconfiança dos participantes.

O trabalho coletivo provou ser a maneira mais indicada de resolver os problemas da produção e foi fundamental para a comercialização e venda dos frutos e dos produtos industrializados. O sucesso do trabalho, contudo, dependeu do cultivo do respeito e do entendimento entre os técnicos e os agricultores que buscaram, juntos, soluções para problemas individuais e coletivos.

A quantidade de umbu existente na região contribuiu para ampliar a renda familiar de forma sustentável graças aos agricultores do Grupo de Interesse do umbu, que estimularam outros agricultores a usarem em suas propriedades e organizações boas praticas de manejo e aproveitamento.

Aprendemos com esta capitalização acima de tudo que visão e eficiência foram necessárias para consolidar os processos produtivos, comerciais e gerenciais da cooperativa. Outro fator indispensável foi um capital de giro garantido para financiar a produção, o estoque e a comercialização, modo de garantir a capacidade de crescimento e a viabilização econômica dos empreendimentos.

Reflexão depois de quebrados os paradigmas

O Projeto Gente de Valor desenvolveu um conjunto de ações integradas, onde a Cooperativa de Produção e Comercialização da Agricultura Familiar do Sudoeste da Bahia provou ser elo estratégico e inovador no fortalecimento do sistema produtivo do umbu na região. Acima disto, a metodologia utilizado pelo projeto permitiu que as pessoas envolvidas incorporassem um novo jeito de viver coletivamente, alcançando resultados expressivos no desenvolvimento da região. Investir simultaneamente nas dimensões socioculturais, ambientais e econômicas fez toda a diferença.

A crescente importância e visibilidade alcançada na região em outros centros impõe grande responsabilidade à COOPROAF no que diz respeito à melhoria da qualidade de vida dos seus cooperados e ao fortalecimento da agricultura familiar na região. Sobretudo a gestão profissional dos processos administrativos e comerciais, assim como a formação dos envolvidos no processo constituem desafios impostos pela complexidade da intervenção. Em particular em meio das grandes mudanças políticas acontecendo hoje no país, que poderiam vir a comprometer a sustentabilidade da cooperativa.

“... A gente acredita que vai resolver o problema de fornecimento de frutas com a qualidade que precisamos e assim garantir um maior estoque de produtos, aumentando as possibilidades de mercado através de um trabalho bem articulado. Por causa deste processo de integração a gente acredita que o trabalho terá mais eficiência e maior transparência nas relações” — João, membro da Cooperativa

Apesar das incertezas na conjuntura e das limitações da cooperativa em si, o beneficamente do umbu vem se consolidando como uma das principais alternativas para geração de trabalho e renda, principalmente para mulheres e jovens dos municípios de Manoel Vitorino e Mirante. Requer, entrementes, apoio constante dos parceiros para consolidar as suas ações e viabilizar a sua missão.

Em meio aos desafios, a COOPROAF vem desempenhando um papel fundamental na estruturação da cadeia produtivas do umbu em consonância com as políticas territoriais, bem como a sua inserção nas redes de cooperativas na região e do estado da Bahia. Julgamos, portanto, ser essa experiência passível de ser replicada em outras instâncias cooperativistas da agricultura familiar e com outros produtos regionais ainda carentes de uma cadeia de valor desenvolvida.

Partners

  • The International Fund for Agricultural Development 
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A Importância dos Furos Multiúso para a Cadeia de Carnes Vermelhas no Distrito de Massingir

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Duas foram as consequências inesperadas da vinda dos furos. A primeira foi redução do roubo dos animais, garantindo deste modo seu controle e sua segurança. A segunda, a redução de conflitos entre famílias por devastação de culturas causada pelo gado nas machambas. Os impactos a curto e longo prazo deverão ser reforçados com o estabelecimento de bancos forrageiros e de hortas sob sombrites.

Pescado de valor comercial alto transforma vidas

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Observamos com agrado os comerciantes conquistando clientes com pescado de boa qualidade exposto durante as feiras. Com isto expandem seu negócio quer por número de clientes quer por mercados. Já 48 dos comerciante fornecem seus produtos a clientes fixos – restaurantes, estabelecimento de processamento, hotéis e singulares. Encurtam assim e a seu favor a cadeia de valor do pescado.

Posse de Terra fomenta Desenvolvimento

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O trabalho de sensibilização e comunicação nas comunidades, incluindo a divulgação da lei de terra e seu regulamento sobre os direitos e impactos de assegurar a posse de terra, constituiu a chave para o sucesso de todo processo relativo à segurança de posse de terra.

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